terça-feira, 28 de maio de 2013

Encontro 21/05/2013

Síntese do texto: “Capítulo 15 – Formas de Organização do Trabalho Pedagógico” – pág.87 a 94 das Diretrizes Curriculares da Educação Básica para o Ensino Fundamental

A organização do trabalho pedagógico exige um conhecimento prévio de qual é a função da escola e do trabalho docente, para quem ensinamos, para que planejamos, entendendo o ponto de partida e não perdendo o foco de onde queremos chegar, destacando a necessidade de fazê-lo de modo integrado e articulado entre os atores da comunidade escolar.
Cabe a rede pública de ensino garantir que existam espaços e tempos comuns de planejamento e avaliação do trabalho pedagógico dentro e fora das unidades escolares, e aos membros da equipe gestora que esta articulação e integração aconteçam. 
O planejamento escolar deve ocorrer de forma ininterrupta, pois se trata de um processo de reflexão e de escolhas permanentes, portanto podemos avaliá-lo e reformulá-lo a partir de todo o conhecimento que temos dos problemas e necessidades da comunidade, bem como e principalmente, dos conhecimentos e necessidades trazidas pelas crianças para a sala de aula e diferentes espaços educacionais. 
Uma das formas de identificar estes conhecimentos pode ocorrer no início do ano com a realização de uma avaliação diagnóstica elaborada com o objetivo de conhecer o que as crianças já sabem, para que o grupo de professores defina o ponto de partida de trabalho e quais conteúdos serão priorizados para cada turma. 
A medida que a relação entre o professor e a criança vai se estabelecendo e novos conhecimentos a respeito de suas necessidades e desejos de aprendizagem vão se esclarecendo, é necessário que o planejamento do trabalho pedagógico se organize de forma semanal, definindo os conteúdos, a frequência com que serão trabalhados e a forma didática para desenvolvê-lo. 
Existem diferentes formas de se organizar o trabalho pedagógico e a autonomia de escolha do professor deve respeitar os princípios colocados no Projeto Pedagógico da Escola e nas Diretrizes Curriculares estabelecidas pela rede pública de ensino. Uma das formas de se pensar o trabalho pedagógico é aproximando atividades que envolvam princípios de emancipação humana e práticas de ensinar e aprender, contemplando a todas as crianças e atendendo as necessidades distintas de cada uma. 
Sem negar as especificidades e objetivos de cada componente curricular é preciso encontrar pontos de articulação entre eles, para que se promova a interdisciplinaridade e que superemos a fragmentação do conhecimento. O trabalho com a metodologia de projetos permite a articulação das disciplinas, segundo a intenção, o planejamento e a condução dos professores. 
O projeto busca um problema eixo a partir do qual diferentes informações e questões são elaboradas para chegarem a um tema de estudo e entendimento por parte das crianças. Nele todas as crianças podem participar, pois podem realizar atividades de forma coletiva ou tarefas nas quais se destacam, como um desenho, uma entrevista ou através da mediação de um colega que lê e escreve por ele, como também através da mediação do professor que ouve o que a criança fala, pergunta, lê ou escreve. 
Outra forma de organização do trabalho pedagógico é o projeto de letramento que considera quais os saberes sobre leitura e escrita exigidos nas práticas sociais que as crianças já possuem e quais ainda precisam saber para estarem inseridas no uso de diferentes gêneros textuais, fazendo uso da leitura e da escrita para compreender e aprender aquilo que for relevante para o desenvolvimento e a realização de um projeto, por exemplo, e não apenas com o objetivo de ler para aprender a ler e de escrever para aprender a escrever. 
É possível ainda destacar dentro do trabalho pedagógico outras formas distintas de organização, como: a pesquisa, que dá margem ao desenvolvimento de uma criança e de um professor pesquisador para além da mera curiosidade, mas exercendo o papel de produtores e construtores de conhecimento; atividades sequenciais, que promovem uma aprendizagem específica, continua e articulada entre conteúdos sem a necessidade de realizar um produto final; atividades permanentes, que realizadas com uma certa frequência permitem o desenvolvimento de atitudes, valores e de ações de como fazer algo; livros didáticos, que funcionam como suporte para o trabalho pedagógico; atividades coletiva, que permitem a reorganização da turma em agrupamentos produtivos – duplas ou grupos – possibilitando o desenvolvimento de atividades diversificadas que atendam às necessidades de cada agrupamento; atividades lúdicas, que trazem à tona o prazer de aprender, o uso ativo da imaginação e criação das crianças. 
Por fim, é importante ressaltar que as diretrizes concebem que é fundamental aos professores assumirem a intencionalidade de seu trabalho e das escolhas inerentes ao planejamento e a organização do trabalho pedagógico, assim como, defendem o rompimento com formas de trabalho que isolem cada professor em sua sala de aula, nos desafia a construir práticas mais solidárias, capazes de fortalecer professores e crianças confiantes em suas capacidades de ensinar e aprender, reconhecendo-se em todo seu potencial humano.

sábado, 18 de maio de 2013

Encontro 14/05/2013

A partir da leitura do livro da Ruth Rocha - "O menino que aprendeu a ver" - feito pela Ítala e pela Dani em nosso encontro, resolvi compartilhar com vocês o registro que fiz de uma cena acontecida em minha sala de aula na semana passada.
Era um momento de realização de uma atividade em duplas, duas meninas "Samanta e Mariana" se ajudavam para fazer um caça-palavras. Eu estava no fundo da sala fazendo algumas avaliações individuais com outras crianças, mas por um momento consegui parar e observar o que acontecia.
Mariana é uma menina mais autônoma que já lê muito bem, Samanta é uma menina muito tímida, chegou na escola no 2. Ano e entrou em nossa turma em 2013, sendo uma das crianças que repetiram o 3. Ano. 
Observava o diálogo:
M - Samanta, a palavra é AREIA, pensa, com que letra começa?
S - Com A.
M - Isso mesmo, e depois vem o RE, que letra a gente usa pra fazer o RE.
E em meio ao silêncio de Samanta, Maria fala:
M - É o R e ooooo.....?
S - É o R e o E.
Observei esta conversa entre as meninas durante um certo tempo e estas intervenções que Mariana fazia foram acontecendo também em outras palavras. Após terminar a atividade, Mariana correu até a mesa onde eu estava e com um largo sorriso de satisfação, me disse:
M - Pro, a gente já terminou a folhinha e a Samanta já tá sabendo colocar as vogais sozinha.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Encontro 07/05/2013

A partir das leituras realizadas sobre o tema avaliação, páginas 35 a 40 das Diretrizes Curriculares da Educação Básica para o Ensino Fundamental da Prefeitura Municipal de Campinas e páginas 22 a 27 do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - Currículo Inclusivo: O direito de ser alfabetizado Ano 3 Unidade 1, nos vimos envolvidas em uma discussão proposta pelas seguintes questões:

O que avaliar?
Como avaliar?
Para que avaliar?

É preciso avaliar os conhecimentos que as crianças já possuem, adquiridos nos anos anteriores de escolaridade e nas experiências socioculturais que experiencia para além dos muros escolares, bem como, é de fundamental importância que a  avaliação aconteça ao longo de todo o processo de ensino/aprendizagem, identificando assim as aprendizagens que vão sendo efetivadas, reconhecendo os resultados obtidos.
A avaliação acontece para favorecer aprendizagens e valorizá-las, para compreender o que já sabem, para garantir que as aprendizagens não consolidadas em uma etapa possam ser garantidas em etapas posteriores, para pensar em novas propostas de intervenção e para que o planejamento aconteça de forma mais segura. 
Após o término do nosso encontro voltei para casa pensando na questão da auto-avaliação que muitas vezes as crianças fazem sem nem serem provocadas a isto, quando observam os saltos que dão em suas aprendizagens e relatam naturalmente suas descobertas. Lembrei-me então de um conjunto de cadernos, alguns estudados em um Grupo de Trabalho sobre Currículo (http://gtcurriculopadrenarciso.blogspot.com.br/desenvolvido em minha escola durante os anos de 2011 e 2012 e fiz o seguinte recorte: 
"Outro aspecto fundamental de uma avaliação formativa diz respeito à construção da autonomia por parte do estudante, na medida em que lhe é solicitado um papel ativo em seu processo de aprender. Ou seja, a avaliação formativa, tendo como foco o processo de aprendizagem, numa perspectiva de interação e de diálogo, coloca também no estudante, e não apenas no professor, a responsabilidade por seus avanços e suas necessidades. Para tal, é necessário que o estudante conheça os conteúdos que irá aprender, os objetivos que deverá alcançar, bem como os critérios que serão utilizados para verificar e analisar seus avanços de aprendizagem." (Fernandes, p.22)
Disponível em <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag5.pdf>
Acesso em 08/05/2013

Talvez devesse aprender a envolver as crianças mais efetivamente também nos processos de avaliação e não apenas no planejamento - como atualmente busco fazer - para procurar por mais sentidos para elas e para mim mesma, maior envolvimento e compreensão do que, como e para que são avaliadas.

Fica a dica....
Fonte: http://matematicanacidadela.blogspot.com.br/2008/06/para-que-serve-avaliao.html
Outras questões surgiram para provocar outras discussões e novos olhares:

Como registrar os progressos das crianças que não podem ser escritos por elas, que não ficam no papel, mas que acontecem em momentos distintos, como: rodas de conversa, jogos pedagógicos, atividades em grupos diversificados ou duplas, etc.? 

Quando a reprovação é um benefício ao aluno? Não seria melhor pensar em novas formas de agrupamentos e organização dos ciclos de aprendizagem para a garantir a aquisição de conhecimento de todos e de cada um independentemente da turma a que pertence?

Bibliografia
Fernandes, Cláudia de Oliveira - Indagações sobre currículo : currículo e avaliação / [Cláudia de Oliveira Fernandes, Luiz Carlos de Freitas] ; organização do documento Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. – Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007.


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Encontro 30/04/2013

Fonte: http://lacaneando.com.br/
o-apanhados-de-desperdicios/
Neste encontro, a Ítala e a Dani compartilharam conosco uma leitura deleite através do vídeo "Histórias da Unha do Dedão do Pé do Fim do Mundo", que tem o texto baseado nos poemas de Manoel de Barros. Decidi também compartilhar com vocês dois textos escritos por ele, que me mobilizam demais e falam diretamente a pessoa que sou e quero ser.

"O apanhador de desperdícios"

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras

fatigadas de informar.
Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios


"Achadouros" - esse a Mafê que me ensinou a ver


Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. Mas o que eu queria dizer sobre o nosso quintal é outra coisa. Aquilo que a negra Pombada, remanescente de escravos do Recife, nos contava. Pombada contava aos meninos de Corumbá sobre achadouros. Que eram buracos que os holandeses, na fuga apressada do Brasil, faziam nos seus quintais para esconder suas moedas de ouro, dentro de grandes baús de couro. Os baús ficavam cheios de moedas dentro daqueles buracos. Mas eu estava a pensar em achadouros de infâncias. Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos. Hoje encontrei um baú cheio de punhetas.

Os dois textos são do livro Memórias Inventadas - A infância, do Manoel de Barros.